domingo, 26 de agosto de 2018

A busca do sub2h30 antes dos 30 - Maratona de Amsterdam


A Maratona em Firenze no ano passado foi um momento muito bacana, e o 2h39:10 que corri lá foi uma marca legal, mas ao mesmo tempo ficou a sensação que dava de ter corrido um pouquinho melhor, quem sabe um 2h36 ou 2h37, em caso de melhores condições climáticas.

2018 começou com tudo, e atravessei o inverno Europeu em boa forma física, correndo no fim de março a Meia Maratona de Milão em 1h12:15, o que seria um indicativo de já estar no nível de correr uma Maratona entre 2h34 e 2h36.

Porém, 2018 também está sendo um ano com  desafios no trabalho, e muitas viagens. Se os três primeiros meses do ano foram muito bons, os três meses seguintes foram muito ruins, e cheguei ao fim de Junho muito longe do nível que estava em fim de Março.

Este é um ano simbólico, pois completo 30 anos em Dezembro, e já no ano passado, ou talvez até bem antes, eu penso que gostaria de tentar quebrar a barreira das 2h30 na Maratona antes dos 30 anos.

A missão é praticamente impossível. Correr 2h29 numa Maratona é realmente bem complicado, e a partir desse patamar começa a ficar difícil diferenciar um atleta amador de profissional.

Em outros números, completar uma Maratona abaixo de 2h30 significa manter uma média de 17:45 em cada 5 km (ou 3m33s para cada quilômetro). Em outras palavras, significa correr 8x 5 km, cada um em 17m45s, e ainda ter força para não morrer na praia nos últimos 2.195m.

Realisticamente meu desafio deveria ser de correr abaixo de 2h35, mas isso não seria tão simbólico... e então decidi tentar.


Escolhi uma Maratona plana, onde a temperatura costuma ser ideal, e com chegada num estádio Olímpico... a Maratona de Amsterdam, que além de tudo, encaixava bem no calendário.

Preparei um programa de 15 semanas, e dia 9 de Julho, comecei.

Acabo de completar a semana número 7.  Ou seja, estou praticamente na metade.
Até então, tenho conseguido seguir o plano à risca, e estou novamente no nível que estava em Março.

Porém, também sei que aquele nível de Março ainda não é o suficiente. Preciso estar melhor. Bem melhor. Melhor ao ponto que eu nem sei se é possível. E com um agravante - as viagens de trabalho, que são muitas, e complicam bastante um dos mais importantes pré-requisitos para se ter uma chance: a consistência de treinamento, dia após dia, semana após semana.

Ao final das 15 semanas, quando chegar o dia da Maratona, terei ido 3 vezes para a China, e passado 4 das 15 semanas do programa em Beijing. Quem conhece Beijing sabe que está longe de ser um local agradável para se correr, e que há dias (no meu caso a maioria) onde a única opção é mesmo a esteira do hotel. Na viagem que fiz para lá no final de Julho, foram mais de 60 km em esteira. A segunda viagem é nesta semana e certamente irei visitá-la com frequência. Mas o tempo no avião, a rotina em outro país, e no caso da China, a poluição, ainda não contam toda a história da dificuldade dessas viagens. Há de se enfrentar um "inimigo" realmente complicado, o fuso-horário, pois a China está 6 horas a frente da Europa. O corpo realmente fica bem perdido, demora alguns dias para se adaptar, e como ele está sendo testado a um treinamento bem pesado, às vezes o cansaço é brutal. Tanto na ida quanto na volta.

Além do treinamento, é preciso que as estrelas se alinhem no dia. Isto é: preciso chegar no nível de 2h29 (que eu ainda nem sei se é possível), mas também contar com temperatura ideal, sem vento, psicologicamente num bom dia, encontrar um bom grupo para correr junto, etc, etc e etc. A lista de detalhes que podem dar errado numa Maratona é bem longa, e para eu ter uma chance do 2h29 tudo precisa ser perfeito.

Não sei se vou chegar lá, mas se eu acordar no dia 21 de Outubro com uma chance, então a jornada terá valido a pena.

E como tem sido o treino para chegar lá?

Abaixo eu compartilho meu programa de treinamento. As linhas verdes são os treinos completos, ou seja, até a semana 7. Em branco a partir da semana 8, a qual começo nesta segunda (aliás, um dia off, pois passo ele no avião voando para a China).

Nestas primeiras 7 semanas corri 701 quilômetros, ou 100 quilômetros por semana, e esse é um dos pontos fracos. Aspirantes a 2h29 costumam correr mais que isso. Em geral, eu diria que entre 120 e 130 seria o ideal para um atleta amador (embora muitos corram mais que isso, até 150-160, o que se aproxima da quilometragem semanal de um atleta profissional, entre 160 e 200, dependendo do período).Porém, atingir essa média de 100 é o melhor que consigo fazer conciliando com os outros aspectos da vida - e eu já termino a semana bem esgotado.
Meu programa de treinamento não tem muitos segredos e segue premissas bem simples.

Faço um treino de pista bem pesado na Quarta e um treino longo no Domingo. Este treino longo normalmente é leve, mas em momentos-chave, ele inclui quilômetros percorridos no ritmo alvo (3:33 min / km de média).

Em semanas que estou bem, incluo um terceiro treino com qualidade, o qual pode ser, por exemplo, 16 km em 58 minutos, ou 10 km abaixo de 35.

E nos outros dias, eu corro o máximo de quilômetros possíveis, em ritmo leve. Uma curiosidade é que não uso relógio nesses treinos. Não sei em que ritmo estou correndo. "Leve" é um conceito variável. Depende no meu estado em determinado dia. Talvez há dias em que eu possa correr leve a 4:00 min/km. Em outros a 5:30 min/km. Eu realmente não sei, e o importante é não sair da zona de conforto, seja qual for ela no dia do treino. Às vezes eu dobro, isto é, corro duas vezes em determinado dia, uma no horário de almoço e outra de noite.

Meus treinos na pista têm sido bons, e longos. Fiz 4 x 3200m, 3 x 5000m (um treino que nunca havia feito antes).

A partir da semana 8, em branco, tenho vários treinos planejados. Os espaços vazios serão preenchidos com quilometragem leve.

No dia 9 de Setembro é possível que eu corra uma Meia-Maratona para testar onde estou, em ritmo de prova, ou seja, logo abaixo 1h15.

Ao final das 7 semanas, estou de fato em nível muito bom, comprovados pelo último treino longo que fiz. Continua sendo muito difícil chegar ao 2h29 dia 21 de Outubro, talvez até mesmo impossível, mas eu já estou inegavelmente bem mais perto.

Faltam mais 7 semanas para chegar a semana do evento. Que elas sejam tão boas quanto foram as 7 primeiras.

Espero que o programa abaixo possa ser útil a quem tiver curiosidade, e vamos em frente na busca de novos recordes pessoais.