segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Enfrentando um tornado em Lausanne

Durante os últimos dias, em particular os que antecederam a Maratona de Lausanne neste domingo, tenho pensado no pequeno milagre que é "dar tudo certo numa Maratona". No meu caso, tinha um objetivo claro que era corrê-la abaixo de 2h40. Só que Maratona está longe de ser ciência exata e é preciso uma série de variáveis, algumas controláveis, outras não, para que você tenha chances de chegar lá.

Neste domingo, quis o destino que o dia da Maratona em Lausanne fosse o dia de maior vento do ano na cidade. Dia do vento sair no jornal. Curiosamente um dos maiores benefícios de Lausanne em relação ao clima de Floripa ou do Rio é a quase inexistência de vento. Não neste domingo... infelizmente foi dia daqueles ventos que você tem que corer rindo, porque não dá pra sair do lugar. Numa prova de ida e volta, fatal para qualquer perspectiva de tempo.

Quando acordei com o barulho do vento na janela, e saí de casa escutando as árvores mexerem... bem, você até tenta encontrar formas de se motivar (quem sabe vai parar até a largada?), mas no fundo você sabe que acabou.

Não a toa, o tempo do campeão da prova, um etíope que costuma correr na casa de 2h12, foi apenas 2h22. 

Meu segundo ou terceiro quilômetros, a favor do vento, foram bizarros por ter de me controlar e realmente segurar o ritmo para correr na casa de 3m30s.

Passei a meia-maratona em 1h18, e caramba, como estava me sentindo bem. Nem fiz força!

Pena que daí pra frente foi uma marcha fúnebre até a chegada. Uma luta contra o vendaval de Lausanne. Fiz a segunda metade 9 minutos mais lenta que a primeira, mas sequer perdi posições. Virei a primeira metade em 12o, e terminei a prova em 12o. 

Dos 11 atletas que terminaram na minha frente, a media foi fazer a segunda metade 7 minutos mais lento que a primeira.

Foi uma das corridas mais frustrantes da minha vida, por saber que estava muito bem preparado, mas um dia absolutamente "outlier" estragou tudo. Mas além de me afetar, esse 2h46 amargo vai me trazer mais motivação.

Sigo em frente, em busca desse pequeno milagre.

Vamos para Florença dia 26 de Novembro.